quinta-feira, 24 de maio de 2012

écran

ÉCRAN
(dedicado ao Nirton Venancio)
De Rubens Guilherme Pesenti, São Paulo 
 
 
É bom saber do carinho dos amigos que seguimos abraçando o mundo. 
Grato, querido Rubens.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

o afeto que se encerra em nosso peito

                                     foto Pomankn
  
O afeto tem o cheiro da pele, tem a largura do abraço, tem a extensão do perdão, tem a mensura da tolerância, tem a profundidade da compreensão, tem o tempo da espera. O afeto guarda as fotos na gaveta, guarda as lembranças das coisas no armário, guarda a casa para a visita. O afeto educa os filhos, direciona os amantes, conserva os amigos. O afeto sinaliza a volta, retoma o lugar perdido, estabiliza o presente. Ao contrário da dor, é o afeto que rima com amor.

terça-feira, 15 de maio de 2012

dor

o
     odor
  da dor
    a dor
       dor
              dormido
                     ido
                                 o amor:
                                       morte.

(do livro "Roteiro dos pássaros ")


quarta-feira, 14 de março de 2012

viés

foto Carlos Vilela

O poeta percebe 
de forma
estranha.
Por isso percebe.
(do livro 'Poesia provisória') 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

trem da memória (fragmento)


Ah, personagens desse mundo lá de trás,
imaginavam vocês
que
eu, mais do que olhava,
via
fotograficamente
todos
e
tudo isso?


Imaginavam vocês
que minha presença pequena
espionava
todos os rostos
todos os gestos
todos os passos
para
me contar tudo no futuro?

imaginavam vocês
(que
atravessavam corredores
atravessavam ruas
atravessavam dias
e
gargalhavam nas salas
se divertiam nas praças
choravam nos quartos
se entristeciam pela cidade
e
narravam proezas
escondiam verdades
e
calavam)
imaginavam vocês
que
eu tivesse olhos
ouvidos
e chinelos silenciosos
na espreita das portas
e das esquinas?


Hã, imaginavam?


Agora, eu lhes digo
(aos mortos e aos que restaram):
eu sei de tudo.



(Do livro “Trem da memória – um poema”)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

metade

foto Bogdar Jarocki

O que se vê em mim
não é o todo:
escondo gestos.
O que se sabe de mim
(ainda) não é tudo:
escondo datas
Metade que nem eu mesmo sei
mais corrói do que vive e cresce:
e silenciosamente é uma doença
(e não me esquece).

Convivo como caça e caçador
dentro de mim:
uma hora me acho
a outra não me aceita
e sou metade do rosto desenhada
a outra metade desfeita
.



(do livro “Poesia provisória")

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

poema

O lençol no varal é sempre um poema ao vento.

(do livro "Poesia provisória")